TOPO - PRINCIPAL - 1190X148
TOPO - PRINCIPAL - BOM PAGADOR - 1190X148

Crônica de uma releitura qualquer

Menina Aleatória, Por Anna Domingues, Escritora

Em 06/04/2026 às 10:10:53

Tem gente que envelhece ao nosso lado sem nunca ter existido.

Não mora em nossa rua, não frequenta os mesmos lugares, não responde mensagens. Mas, ainda assim, acompanha cada fase, cada crise, cada versão nossa que nasce e morre em silêncio. Estamos falando de personagens que, de algum jeito difícil de explicar, também são companhia.

Eu penso nisso toda vez que releio um livro e encontro alguém que não é mais o mesmo. Não porque o autor mudou a história, mas porque fui eu que mudei de leitura. A personagem continua ali, dizendo as mesmas coisas, tomando as mesmas decisões, mas agora me invade de outro jeito. Às vezes com mais empatia. Às vezes com menos paciência.

Tem personagens que, na primeira leitura, parecem fortes. Na segunda, só cansados.

Tem outros que a gente julgava fracos até entender o peso que eles carregavam.

E há aqueles que a gente amava… até crescer.

É intrigante perceber quando isso acontece. Não há uma ruptura dramática. Um dia você simplesmente não concorda mais com aquela escolha, não romantiza mais aquele sofrimento, não se identifica mais com aquelas atitudes. E francamente? Tudo bem. Não é traição, é maturidade.

Mas também existe o contrário: personagens que ganham profundidade com o tempo. Que pareciam rasos aos vinte, mas se revelam complexos aos trinta. Que só fazem sentido depois que a vida oferece repertório suficiente para entendê-los.

Talvez seja isso que a literatura faça de mais bonito: ela não muda, mas permite que a gente mude dentro dela.

Porque, olhando bem, não é sobre os personagens. É sobre quem a gente é quando encontra, e reencontra, cada um deles.

Tem livros que a gente lê para fugir. Outros, para se encontrar. E alguns — os mais raros — fazem as duas coisas ao mesmo tempo. Nos tiram de onde estamos e, quando devolvem, já não somos exatamente os mesmos.

E então percebemos: certos personagens não ficaram no passado. Eles continuam aqui. Um pouco na forma como pensamos, um pouco na forma como sentimos, um pouco na forma como sobrevivemos.

Envelhecer com eles não é sobre reler a mesma história e sim sobre descobrir, a cada vez, uma nova versão de si mesmo escondida entre as páginas.

E talvez seja por isso que a gente nunca se despeça de verdade.

Só fecha o livro, por enquanto.

Até o próximo texto!

@portal.eurio

https://www.instagram.com/annadominguees/

https://www.wattpad.com/user/AnnaDominguees

POSIÇÃO 2 - DOE SANGUE 1190X148
POSIÇÃO 2 - DENGUE1190X148
POSIÇÃO 2 - VISITE O RIO - 1190X148
POSIÇÃO 3 - DENGUE 1190X148
Saiba como criar um Portal de Notícias Administrável com Hotfix Press.